MAB, Ibase e outras organizações promovem ato em memória do crime da Samarco

No dia 08 de março, o Movimento dos Atingidos por Barragens e o Ibase, junto com movimentos e organizações parceiras, promoveram um ato em frente ao escritório da Vale, no Rio de Janeiro, em memória do crime do rompimento da Barragem de Fundão, e denunciando a dívida da empresa com o INSS, que chega à R$ 276 milhões.

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O ato contou também com a presença de mulheres atingidas pelo rompimento. De acordo com uma delas, passados 1 ano e 4 meses do crime, não há nada de definitivo feito na Bacia do Rio Doce. As famílias atingidas estão em casas alugadas, sem nenhuma perspectiva de futuro. Não sabem quando vão ter sua própria casa, aonde vão morar.

Em Barra Longa, município de Mariana, os casos de dengue aumentaram em 200% em 2016, devido ao rompimento da barragem e ao fim das matas nas beiras dos rios. Também houve aumento nos casos de alergia por causa da poeira, vinda da lama do rejeito.

Em Governador Valadares e Colatina, as maiores cidades ao longo da Bacia, as empresas afirmam que a água já está própria para consumo e que basta ser tratada pelo sistema de saneamento da prefeitura para ser consumida. No entanto, o Ministério Público de Minas Gerais fez um estudo que demonstra altas quantidades de alumínio presentes nessa água, e nada foi feito em relação a isso.

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As pessoas continuam tomando a água, e a Vale e a Samarco oferecem apenas 800 reais de indenização pelos 10, 15 dias que as pessoas ficaram sem abastecimento. Não há preocupação sobre como vai ser o futuro das famílias nos próximos anos, tomando água contaminada pelo metais decorrentes do rompimento da barragem. Ainda segundo a atingida, a empresa diz hoje que a dengue, a poeira, a alergia que as crianças estão tendo em Barra Longa não é problema dela.

Ela considera a Vale é criminosa, pois violou direitos humanos com o rompimento da barragem da Samarco, e continua a violar no 1 ano e 4 meses seguintes. Ela alega que os atingidos são cada vez mais atingidos, com as incertezas, angústias, reuniões sem resoluções, que só servem para enrolar o povo. Ela lembra, ainda, que além do descaso com as pessoas, a Vale ainda deve milhões para a Previdência Social e para a União.

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As/os manifestantes também ressaltaram que as violações de direitos promovidas pela Vale no crime do rompimento da barragem de Fundão são emblemáticos da forma como a empresa opera em diversos lugares do mundo. Segundo pesquisadora do Ibase, “a Vale só sabe operar violando direitos e destruindo os bens comuns. Ela não sabe valorizar a lógica da vida, apenas a lógica da morte e da destruição.” Ela ressaltou a forma como o rompimento da barragem dificultou a vida das mulheres, aumentando a quantidade de trabalho com cuidados e reduzindo sua autonomia econômica.

O assassinato de Nicinha, militante do MAB de Rondônia, morta no início de 2016, foi outro tema importante no ato. Nicinha era uma liderança regional do MAB que, por muitos anos, denunciou as reiteradas violações de direitos decorrentes da implantação da Usina Hidrelétrica de Jirau.

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