Apresentação

Apesar de ser uma novidade no Brasil, o fracking (fraturamento hidráulico) já tem sido utilizado para extração de gás não convencional desde a última década em diferentes partes do mundo. Com o aprimoramento dessa técnica, alguns países passaram a extrair gás não convencional em larga escala, principalmente os Estados Unidos, com a chamada “revolução do xisto”, em que a participação desse gás saltou de 5% para 40% do total de gás produzido no país em apenas uma década.

Diferentemente do gás convencional, que migra com facilidade das rochas onde são formados, os recursos não convencionais estãoaprisionadosem camadas geológicas de baixa permeabilidade, onde se faz necessário o uso de técnicas específicas visando à extração desses hidrocarbonetos. Esses recursos podem ser agrupados em diferentes categorias, como o gás de folhelho (shale gas), que é o mais comum no Brasil, popularmente conhecido comogás de xisto. De acordo com a ANP, todas essas categorias contêm em comum o fato de serem hidrocarbonetos dedifícil acesso, e consequentemente pouco atrativo economicamente.

O método que internacionalmente tem sido adotado pelas empresas para exploração desses recursos é o fraturamento hidráulico. Mais conhecido como fracking, a técnica consiste na perfuração de um poço vertical de centenas de metros que, ao atingir a rocha portadora do gás, se ramifica em um ou vários poços horizontais.

Abaixo um esquema com a descrição do processo técnico:

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Descrição do processo técnico do fraturamento hidráulico

Após a perfuração do poço e suas ramificações, ocorre a injeção de uma mistura formada por grandes quantidades de água, areia e aditivos químicos sob altas pressões provocando o fraturamento da rocha, possibilitando que o gás natural seja recuperado através das fissuras criadas. De acordo com relatório do Departamento Norte-americano de Saúde, são utilizados aproximadamente 700 tipos diferentes de aditivos químicos, sendo algumas dessas substâncias comprovadamente tóxicas e cancerígenas, como o metano, benzeno, naftaleno, xileno, tolueno, ácido sulfúrico, óxido de etileno, dentre outras.

Imediatamente após a fratura e a diminuição da pressão no poço o gás liberado das rochas é recuperado e volta à superfície arrastando com ele grande parte do fluido injetado. A mistura de água, areia e substâncias químicas que entra nos poços retorna posteriormente com o gás e tem um alto risco de contaminação do solo e água, pois apesar do monitoramento que é realizado, fica difícil evitar que os fluídos ou os hidrocarbonetos se comuniquem com as camadas de água doce subterrânea ou superficial.

O fracking pode ser utilizado tanto em reservas convencionais como em reservas não convencionais, os métodos são muito semelhantes nos dois casos. As principais diferenças são que a quantidade de água utilizada, o número de poços perfurados para extração do gás e, consequentemente, a frequência com que se utiliza o método é significativamente maior nas reservas não convencionais. Isso porque a vida produtiva de um poço não convencional é muito menor, de aproximadamente seis anos, com uma rápida queda de produção após o primeiro ano, caindo cerca de 70% do total. Assim, apesar do fracking ser uma técnica perigosa e arriscada, certamente os riscos e ameaças de impactos socioambientais são maiores na exploração de recursos não convencionais.