Apresentação

A extração de ouro e metais preciosos justificou a conquista das Américas, a escravização e a guerra contra as populações nativas, a espoliação de imensas riquezas e a destruição de civilizações construídas ao logo dos séculos no que era, para os europeus do século XVI, um “novo mundo”. Essa epopeia e destruição foram as bases sobre as quais se levantaram a Idade Moderna, o capitalismo industrial e o imenso poder da Europa burguesa. Não haveria uma história da modernidade, tal como a conhecemos, sem essa conexão íntima e perversa entre as riquezas da terra americana e a fome de ouro e prata que impulsionava os europeus para aventuras além mar.

No caso do Brasil, essa mesma determinação histórica marcaria seu destino e o lugar ocupado pelo país na divisão internacional do trabalho, especialmente desde que, no século XVIII, começaram ser exploradas as vastas regiões mineiras, onde o ouro abundante foi a causa de uma corrida sem precedentes para essas regiões, que iriam se transformar no palco de uma das maiores devastações socioambientais da história nacional. Mais uma vez, essa devastação seria a base da extraordinária expansão sistêmica do capitalismo e o sustentáculo da civilização escravagista nessas terras estabelecida.

Desde então e até hoje, em pleno século XXI, o Brasil transformou-se numa das principais fontes de metais preciosos e outros minérios indispensáveis à expansão da economia mundial. A extração da imensa riqueza mineral do país continua sendo feita as custas da natureza e da população nativa, seja ela indígena ou não, visando alimentar a fome mineral do mundo. Antigamente Portugal e Inglaterra, hoje os Estados Unidos e a China… pouco dessa imensa riqueza fica para o país e sua exploração irracional não sustentou, nunca, o desenvolvimento social e econômico da nação sobre bases social e ambientalmente justas.

Por tal motivo, o Ibase tem se dedicado nos últimos anos à análise da problemática colocada pela extração mineral no país, em diálogo e construção com atores locais que lutam contra a mineração em larga escala e pela construção de alternativas à desenfreada exploração destes recursos, no horizonte de uma sociedade pós-extrativista.

Esta seção do site pretende, portanto, ser uma contribuição na análise e debate sobre as consequências da mineração e sobre as alternativas que a sociedade necessita, com urgência, construir. Desastres recentes, como o ocorrido em Mariana (MG) demonstram claramente o quão danosa é mineração em larga escala, quão irresponsável para com as gerações presentes e futuras pode ser uma atividade sem nenhum respeito pela vida, pelas comunidades e sem uma noção de desenvolvimento para além do lucro das grandes corporações.