Apresentação

O termo Pré-sal refere-se a um conjunto de rochas sedimentares formadas há mais de 100 milhões de anos, localizadas em águas marinhas ultraprofundas em parte do litoral brasileiro. Ao longo dos milhares de anos, grandes volumes de matéria orgânica se depositaram nessas regiões, possibilitando a geração e acumulo de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural). Utiliza-se o termo “pré”, pois ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal (que tem espessura de até 2.000m), com uma profundidade que pode chegar a mais de 7.000m desde a superfície do mar, conforme figura abaixo. Os desafios tecnológicos e econômicos dessas reservas se deviam justamente à necessidade de atravessar a camada de sal e alcançar essa profundidade.

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Esquema do pré-sal. Fonte: EIA/RIMA Etapa 2

Pode-se dizer que a história da indústria do petróleo no Brasil se iniciou por volta de 1940 na Bahia, onde foi descoberta a primeira jazida de petróleo explorável comercialmente no país, concentrando os esforços de prospecções na chamada Bacia do Recôncavo. Posteriormente, em outubro de 1953, foi a criada a Petrobras, através da lei nº 2004, como resultado de uma ampla mobilização popular em torno da campanha “o petróleo é nosso!” em que ocorreu uma ampliação dos investimentos e a busca por novas áreas produtoras no país.

A década de 1960 foi marcada pelas primeiras descobertas de petróleo no mar e na década de 1970, em meio a crise mundial do Petróleo, houve a descoberta da Bacia de Campos, situada na costa norte do estado do Rio de Janeiro – ainda hoje a maior bacia produtora do país. Os denominados “campos gigantes”, na mesma região, foram descobertos nas décadas de 1980 e 1990, sendo os principais Albacora, Marlim e Roncador. Já em 1984 a produção nacional atingiu o recorde de 500 mil barris diários e, em 1997, o país alcançou a meta de 1 milhão de barris por dia, ingressando no grupo dos 16 maiores produtores do mundo. Nesse período as reservas provadas brasileiras eram de cerca de 7,1 bilhões de barris e 228 bilhões de m³ de gás natural.

O aumento significativo observado nas últimas décadas, tanto de reservas provadas como da produção diária ocorreu graças a descoberta, em meados de 2006, de gigantescas reservas de petróleo, com grandes volumes de óleo leve, denominado de “pré-sal”. A produção começou já em 2009, no Campo de Lula, Bacia de Santos, representando um importante gatilho de investimentos para o país, desde então. Com essa importante descoberta (as três maiores descobertas de petróleo do mundo, nos últimos 10 anos, ocorreram no pré-sal brasileiro – Lula, Libra e Búzios), em 2015 as reservas provadas eram da ordem de 16,2 bilhões de barris de petróleo e 470 bilhões de m³ de gás natural, com uma produção diária de aproximadamente 2,395 milhões de barris e 97,4 milhões de m³, respectivamente.

No atual contexto exploratório brasileiro, as maiores descobertas de petróleo na camada pré-sal encontra-se em uma área com aproximadamente 800 km de extensão por 200 km de largura. Em termos geológicos, o pré-sal localiza-se nas bacias sedimentares de Campos e Santos. A Bacia de Campos é a maior província petrolífera do Brasil, responsável por aproximadamente 64% da produção nacional de petróleo e está situada na costa norte do estado do Rio de Janeiro, tendo como limites a Bacia de Santos e a Bacia do Espírito Santo. Já a Bacia de Santos estende-se do litoral sul do estado do Rio de Janeiro até o norte do estado de Santa Catarina e possui importantes reservas de hidrocarbonetos, hoje responsável por cerca de 27% da produção nacional.

Em 2006, quando da descoberta, estimava-se reservas totais equivalentes a 5 bilhões de barris em uma área de aproximadamente 149 mil km². Atualmente, segundo um estudo publicado pelo Instituto Nacional de Óleo e Gás da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (INOG/UERJ), as previsões são de que essas reservas podem ultrapassar 176 bilhões de barris de recursos não descobertos e recuperáveis de petróleo e gás natural (barris de óleo equivalente) o que é considerado por muitos como um “passaporte para o futuro” pois, a partir do pré-sal, o Brasil alcançaria a tão almejada autossuficiência, colocando o pais como exportador liquido de petróleo e derivados no mundo.